A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada pela interrupção definitiva da menstruação, geralmente por volta dos 50 anos. No entanto, a transição que leva até esse momento — conhecida como climatério — pode trazer uma série de sintomas físicos e emocionais que impactam diretamente a qualidade de vida.
Entre as opções disponíveis para aliviar esses sintomas, os tratamentos hormonais se destacam por sua eficácia. Mas você sabe quais são os tipos de terapia hormonal na menopausa, quando são indicados e quais cuidados são necessários? Neste artigo, vamos abordar essas questões com clareza e embasamento científico.
O que é a terapia hormonal na menopausa?
A terapia hormonal (TH) consiste na reposição de hormônios sexuais femininos, especialmente estrogênio e, em alguns casos, progesterona, que deixam de ser produzidos pelos ovários após a menopausa. O objetivo é suprir a carência hormonal e aliviar os sintomas associados a essa fase, como:
- Ondas de calor (fogachos)
- Suores noturnos
- Secura vaginal
- Diminuição da libido
- Insônia
- Alterações de humor
- Perda de massa óssea
Principais tipos de terapia hormonal
1. Terapia Estrogênica
Indicada para mulheres que fizeram histerectomia (remoção do útero). Pode ser feita com estrogênio isolado, via:
- Oral (comprimidos)
- Transdérmica (adesivos ou gel)
- Injetável
- Vaginal (cremes, óvulos ou anéis), especialmente útil para sintomas urogenitais.
2. Terapia Combinada (estrogênio + progesterona)
Recomendada para mulheres que ainda têm útero, pois a progesterona protege o endométrio (camada interna do útero) contra o risco de hiperplasia ou câncer causado pelo uso isolado do estrogênio.
Pode ser feita de forma:
- Contínua: estrogênio e progesterona diariamente, sem pausa.
- Cíclica: estrogênio contínuo e progesterona por 10 a 14 dias do mês, com sangramento semelhante à menstruação.
3. Terapia com Tibolona
É um esteroide sintético com ação estrogênica, progestagênica e androgênica, que atua nos sintomas da menopausa e na melhora da libido, com menor risco de sangramentos. É uma alternativa para mulheres com contra-indicação relativa ao estrogênio.
4. Moduladores Seletivos dos Receptores de Estrogênio (SERMs)
Como o raloxifeno, que imita o efeito do estrogênio nos ossos, mas não no útero ou nas mamas. É uma opção para prevenção e tratamento da osteoporose em mulheres que não toleram ou não podem usar estrogênio.
Quando a terapia hormonal é indicada?
A indicação deve ser individualizada. De acordo com a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e a FEBRASGO, a terapia hormonal pode ser indicada para mulheres com sintomas moderados a intensos que:
- Estão nos primeiros 10 anos de menopausa ou com menos de 60 anos
- Não têm histórico de câncer de mama, trombose venosa profunda ou AVC
- Estão com exames ginecológicos e laboratoriais atualizados
E os riscos da terapia hormonal?
A terapia hormonal, quando bem indicada e acompanhada por um especialista, é segura. No entanto, como todo tratamento, pode haver riscos em casos específicos, como:
- Histórico pessoal ou familiar de câncer de mama ou endométrio
- Doença hepática grave
- Tromboembolismo venoso
- Doença cardiovascular avançada
Por isso, a avaliação médica minuciosa é indispensável antes de iniciar qualquer tipo de reposição hormonal.
Considerações finais
A terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa, mas sua indicação depende de uma avaliação individualizada, baseada em critérios clínicos, histórico médico e preferências da paciente.
Além disso, é fundamental manter um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento ginecológico frequente.
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