A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência amplamente utilizado para evitar uma gravidez indesejada após relações sexuais desprotegidas. Apesar de sua popularidade, ainda há muitas dúvidas sobre como ela funciona, quando deve ser usada e por que, em alguns casos, pode não ser eficaz.
Neste artigo, você vai entender de forma clara e embasada como a pílula atua no organismo feminino e quais são os principais fatores que influenciam sua eficácia.
O que é a pílula do dia seguinte?
A pílula do dia seguinte é uma forma de contracepção de emergência, ou seja, um recurso usado para reduzir as chances de gravidez após a relação sexual sem proteção ou quando há falha no método contraceptivo habitual (como rompimento do preservativo).
Ela não substitui métodos contraceptivos regulares, como pílula anticoncepcional, DIU ou implantes hormonais. Seu uso deve ser pontual e responsável.
Como a pílula do dia seguinte age no corpo?
Existem dois tipos principais de pílula do dia seguinte:
- Levonorgestrel (1,5 mg em dose única) – deve ser tomada até 72 horas após a relação sexual.
- Ulipristal acetato (30 mg) – pode ser usada até 120 horas (5 dias) após a relação.
Ambas atuam, principalmente, inibindo ou atrasando a ovulação, ou seja, impedem que o óvulo seja liberado pelo ovário. Se a ovulação já tiver ocorrido, a pílula pode não impedir a fecundação.
Diferente do que muitos imaginam, a pílula do dia seguinte não é abortiva. Ela não interrompe uma gestação já estabelecida, e também não é eficaz após o óvulo ter sido fertilizado e implantado no útero.
Quando a pílula pode não funcionar?
Apesar de ser uma opção segura, a pílula do dia seguinte não garante 100% de eficácia. Estudos indicam que a taxa de falha pode variar entre 1% e 5%, dependendo do tipo usado, do tempo decorrido após a relação e do ciclo menstrual da mulher.
Ela pode falhar em algumas situações:
- Se a ovulação já tiver ocorrido no momento da relação sexual;
- Quando usada repetidamente, levando à desregulação hormonal;
- Em mulheres com sobrepeso ou obesidade, especialmente com o levonorgestrel;
- Se houver vômito nas primeiras 2 horas após o uso, o que pode comprometer a absorção;
- Interações medicamentosas, como anticonvulsivantes, antirretrovirais e fitoterápicos como a erva-de-são-joão.
Efeitos colaterais e cuidados
Os efeitos colaterais mais comuns incluem náuseas, dor de cabeça, alterações no ciclo menstrual e sensibilidade nas mamas. O uso repetido pode causar desequilíbrios hormonais e dificultar o acompanhamento do ciclo.
Por isso, não é recomendada como método contraceptivo de rotina.
O que fazer após tomar a pílula?
Mesmo após o uso, é importante:
- Observar a menstruação no ciclo seguinte. Se houver atraso superior a 7 dias, faça um teste de gravidez.
- Considerar a inserção de um método contraceptivo regular para evitar novas situações de risco.
- Procurar orientação ginecológica para avaliação individualizada.
Contracepção de emergência é para emergências
A pílula do dia seguinte é uma ferramenta válida e segura quando usada corretamente e em situações pontuais. No entanto, ela não substitui o acompanhamento ginecológico regular, nem os métodos contraceptivos contínuos, mais eficazes e seguros.
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